The Snake Stories

Série Contos de Snake - Tempo Paralelo, Caleidoscópio e Romances em Fragmentos


Collins suspirou exasperado, mas aliviado. Afastou-se apenas um pouco de Maeve para poder encará-la, enxergar dentro da alma dela através dos olhos dourados que luziam pelas lágrimas. Suas defesas também haviam caído por terra e sua alma nunca esteve tão visível através de seus olhos castanhos que, ironicamente, mostravam uma grande fonte de vida, como jamais estiveram antes. 

— Obrigado, Maeve... muito obrigado... 

Tentando em vão conter seu pranto, Maeve respondeu em voz chorosa, quase se desesperando; — Não! Por favor... não diga isso! 

— Eu preciso... – respondeu Collins, com uma expressão plácida e feliz, que Maeve presenciou apenas uma única vez... na noite de amor que tiveram, antes da última batalha, quando descobriu que o assassinato do líder fora um plano arquitetado pelo mesmo. 
 
— Você não pode! Não pode ser assim! 
 
– Dizia já em prantos, agarrando com força as mangas da veste negra de Collins. 
 
— Concordo... não deveria ser assim, mas... 

Collins se silenciou com um novo beijo, sentindo o gosto levemente salgado das lágrimas da mulher, que caiam em seus lábios. 

O vento soprava mais insistentemente. Suas veste e seus cabelos se misturavam como se bailassem. Os flocos de neve caiam em espiral, lançando pequenos brilhos difusos como se portassem luz própria. 

— Obrigado, Maeve... obrigado por me conceder o descanso para minha alma, por me conceder a paz que eu buscava... 

Collins afastou-se sem desviar seus olhos dos de Maeve, que permanecia prostrada, imóvel, apenas suas lágrimas escorriam abundantes e silenciosas por sua face corada. Ela levou suas mãos ao peito, como se quisesse conter as batidas dolorosas de seu coração. 

— Eu te amo, Maeve... e o que sinto não mudará aqui deste lado... obrigado por permitir que isto seja a única coisa que levarei deste mundo... 

Com um sorriso singelo, Collins esvaeceu-se como uma luz que se apaga lentamente. Sua forma se desmanchou em milhares de pequenos pontos brancos e luminosos, subindo ao céu através da luz que surgia por uma brecha nas densas nuvens de chuva, formando um espiral que se confundia com os flocos de neve que ainda caiam. 

Somente quando a luz finalmente se apagou e o céu voltou a ser encoberto por nuvens compactas, que Maeve deixou-se cair de joelhos no solo forrado pela neve que refletia a tênue claridade do céu. Suas lágrimas escorriam de seu rosto e formavam pequeninos côncavos na neve que derretia ao contato morno. O vento começava a diminuir sua intensidade e a nevasca a ceder, mas ainda os flocos de neve brincavam se espalhando leves pelo ar frio. Ao longe, na cidadela e no vale, luzes prateadas surgiam e evaporavam, piscavam como vagalumes perdidos na imensidão noturna. 

Samhain, o Dia das Almas... era 31 de Outubro, o primeiro Halloween após o fim da guerra entre Luz e Trevas. Muitas vidas preciosas se perderam. Mas a Paz fora instaurada tanto aos que ainda permaneciam na Terra quanto àqueles que partiram. E Michael Collins finalmente conseguiu a redenção que tanto buscava e que apenas lhe fora possível a Paz através da luz de Maeve. 

FIM
Happy Halloween!
 
 

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