The Snake Stories

Série Contos de Snake - Tempo Paralelo, Caleidoscópio e Romances em Fragmentos


— Essa maldita guerra já tirou demais de todos nós! Perdemos demais! 

Collins trouxe Maeve para junto de si, enlaçando-a com os braços. A moça não reagiu. Apenas continuou a olhar em expectativa, como que hipnotizada. 

— Chega de perdas! – Sussurrou Collins em sua voz grave. 

O sussurro foi calado por um beijo suave e calmo. Collins temia piorar a situação dessa forma, mas necessitava provar seu amor por Maeve e receber sua absolvição. Ele precisava alcançar a sua paz e só poderia fazê-lo através de sua amada. A moça relutou e lutou temporariamente. Não queria ceder ao beijo. Mantinha-se rija, ainda sustentando desesperadamente as muralhas de sua fortaleza. Apesar da neve fria que caía cada vez mais intensamente, fazendo a paisagem noturna ter um aspecto fantasmagórico, o calor da emoção os envolvia como um manto quente, feito um abraço invisível. 

O vento que soprava no alto da colina trazia consigo uma melodia longínqua, baixa, o farfalhar da vegetação. Conforme a sensação de tempo e espaço se esvaecia para Maeve, e o calor invisível intensificava seu abraço, a moça foi cedendo finalmente aos apelos de seu coração, entregando-se aos beijos e carinhos de Collins. 

Suas últimas defesas caíram por terra e Maeve enlaçou com força o pescoço de Collins, escondendo seu rosto no ombro dele que, por sua vez, num suspiro de alívio, intensificou ainda mais seus braços em torno do corpo esguio dela, perdendo-se pelo emaranhado de cachos avermelhados e absorvendo todo o perfume que conseguia; aquele mesmo perfume floral que experimentou por uma única vez, por uma noite que poderia ter durado uma vida inteira, mas cujas horas se passaram como segundos... Porém, essa única noite de amor foi o suficiente para firmar para sempre em sua alma o seu sentimento por Maeve e nem a batalha final da insana guerra foi capaz de apagar o mínimo que fosse daquela impressão que carregaria pela eternidade. 

— Eu te amo demais, Michael... – Maeve sussurrava com voz embargada, mantendo-se firme, enlaçada ao pescoço de Collins, como a temer que ele se fosse dali como a pequena neblina dos lampiões. — Eu entendo o porquê das atitudes que tomou... entendo o fardo que carregava... entendo que não havia escolha para você... eu entendo que você havia se tornado escravo de um pacto... eu te perdôo, Michael... eu já havia te perdoado há muito tempo! 

Continua...

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