The Snake Stories

Série Contos de Snake - Tempo Paralelo, Caleidoscópio e Romances em Fragmentos


O céu tornou-se ainda mais branco quando a chuva fina começou a cair, mas o ar frio era tanto que condensava as gotículas muito antes de elas tocarem o chão. Então, delicados flocos de neve caíam lentamente e logo tudo se tornou esbranquiçado. Sobre as duas figuras solitárias no alto da pequena colina, os flocos começaram a se acumular em seus cabelos e ombros. 
                                                                                                                                                                                                                                   
— Todos sabem da verdade... foi com muito custo que todos a entenderam... mas, aceitar?! Francamente, Sr. Collins, isso é quase inconcebível! 

— Dói ouvi-la me chamar com tanta polidez, sabia? – Collins inquiria num tom misto de tristeza e zombaria. —Eu realmente não me importo com o que todos pensam de mim, mas você... 

Maeve se irritou com aquele “mas você”, virando-se abruptamente em direção à cidadela. Lutava contra seus desejos que se opunham às suas convenções. Uma luta dolorosa, mas o ‘certo’ deveria prevalecer, sempre! 

— Isso é loucura! Tudo foi uma loucura! E o que aconteceu entre nós não foi diferente! Esqueça tudo isso! Aquilo foi um erro! Um erro! 

A moça, em passos largos, tentou fugir, descer a colina rumo à rua de pedras e lampiões gotejantes. Precisava sair o quanto antes dali! Não permitiria que sua mente e sua razão fossem dominadas por emoções tolas que teimavam em lhe contradizer, mandando-a que ficasse, que baixasse completamente a fortaleza que guardava seu castelo de atitudes certas, lógicas e ponderadas. Não poderia amar um homem que fora o assassino de William Lamport, mesmo que sob a lealdade inquebrantável que Collins estava preso ao líder revolucionário! 

Seu coração perdoava e entendia, mas sua mente não conseguia aceitar tal fato! Em ação rápida e furtiva, Collins impede que Maeve prossiga, segurando-a pelo braço esquerdo. Temia machucá-la com a força que empregava, mas não poderia correr mais uma vez o risco de perde-la novamente, de deixá-la fugir. Não lhe restava mais tempo para isso. A moça virou-se assustada, mas sua expressão de quase desespero se esvaeceu ao encontrar clemência e doçura naqueles olhos castanhos que costumavam ser tão frios, como se não pertencessem a um ser vivo. 

Continua...

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