The Snake Stories

Série Contos de Snake - Tempo Paralelo, Caleidoscópio e Romances em Fragmentos


FELIZ NATAL

Série Snake Stories


Collins suspirou exasperado, mas aliviado. Afastou-se apenas um pouco de Maeve para poder encará-la, enxergar dentro da alma dela através dos olhos dourados que luziam pelas lágrimas. Suas defesas também haviam caído por terra e sua alma nunca esteve tão visível através de seus olhos castanhos que, ironicamente, mostravam uma grande fonte de vida, como jamais estiveram antes. 

— Obrigado, Maeve... muito obrigado... 

Tentando em vão conter seu pranto, Maeve respondeu em voz chorosa, quase se desesperando; — Não! Por favor... não diga isso! 

— Eu preciso... – respondeu Collins, com uma expressão plácida e feliz, que Maeve presenciou apenas uma única vez... na noite de amor que tiveram, antes da última batalha, quando descobriu que o assassinato do líder fora um plano arquitetado pelo mesmo. 
 
— Você não pode! Não pode ser assim! 
 
– Dizia já em prantos, agarrando com força as mangas da veste negra de Collins. 
 
— Concordo... não deveria ser assim, mas... 

Collins se silenciou com um novo beijo, sentindo o gosto levemente salgado das lágrimas da mulher, que caiam em seus lábios. 

O vento soprava mais insistentemente. Suas veste e seus cabelos se misturavam como se bailassem. Os flocos de neve caiam em espiral, lançando pequenos brilhos difusos como se portassem luz própria. 

— Obrigado, Maeve... obrigado por me conceder o descanso para minha alma, por me conceder a paz que eu buscava... 

Collins afastou-se sem desviar seus olhos dos de Maeve, que permanecia prostrada, imóvel, apenas suas lágrimas escorriam abundantes e silenciosas por sua face corada. Ela levou suas mãos ao peito, como se quisesse conter as batidas dolorosas de seu coração. 

— Eu te amo, Maeve... e o que sinto não mudará aqui deste lado... obrigado por permitir que isto seja a única coisa que levarei deste mundo... 

Com um sorriso singelo, Collins esvaeceu-se como uma luz que se apaga lentamente. Sua forma se desmanchou em milhares de pequenos pontos brancos e luminosos, subindo ao céu através da luz que surgia por uma brecha nas densas nuvens de chuva, formando um espiral que se confundia com os flocos de neve que ainda caiam. 

Somente quando a luz finalmente se apagou e o céu voltou a ser encoberto por nuvens compactas, que Maeve deixou-se cair de joelhos no solo forrado pela neve que refletia a tênue claridade do céu. Suas lágrimas escorriam de seu rosto e formavam pequeninos côncavos na neve que derretia ao contato morno. O vento começava a diminuir sua intensidade e a nevasca a ceder, mas ainda os flocos de neve brincavam se espalhando leves pelo ar frio. Ao longe, na cidadela e no vale, luzes prateadas surgiam e evaporavam, piscavam como vagalumes perdidos na imensidão noturna. 

Samhain, o Dia das Almas... era 31 de Outubro, o primeiro Halloween após o fim da guerra entre Luz e Trevas. Muitas vidas preciosas se perderam. Mas a Paz fora instaurada tanto aos que ainda permaneciam na Terra quanto àqueles que partiram. E Michael Collins finalmente conseguiu a redenção que tanto buscava e que apenas lhe fora possível a Paz através da luz de Maeve. 

FIM
Happy Halloween!
 
 


— Essa maldita guerra já tirou demais de todos nós! Perdemos demais! 

Collins trouxe Maeve para junto de si, enlaçando-a com os braços. A moça não reagiu. Apenas continuou a olhar em expectativa, como que hipnotizada. 

— Chega de perdas! – Sussurrou Collins em sua voz grave. 

O sussurro foi calado por um beijo suave e calmo. Collins temia piorar a situação dessa forma, mas necessitava provar seu amor por Maeve e receber sua absolvição. Ele precisava alcançar a sua paz e só poderia fazê-lo através de sua amada. A moça relutou e lutou temporariamente. Não queria ceder ao beijo. Mantinha-se rija, ainda sustentando desesperadamente as muralhas de sua fortaleza. Apesar da neve fria que caía cada vez mais intensamente, fazendo a paisagem noturna ter um aspecto fantasmagórico, o calor da emoção os envolvia como um manto quente, feito um abraço invisível. 

O vento que soprava no alto da colina trazia consigo uma melodia longínqua, baixa, o farfalhar da vegetação. Conforme a sensação de tempo e espaço se esvaecia para Maeve, e o calor invisível intensificava seu abraço, a moça foi cedendo finalmente aos apelos de seu coração, entregando-se aos beijos e carinhos de Collins. 

Suas últimas defesas caíram por terra e Maeve enlaçou com força o pescoço de Collins, escondendo seu rosto no ombro dele que, por sua vez, num suspiro de alívio, intensificou ainda mais seus braços em torno do corpo esguio dela, perdendo-se pelo emaranhado de cachos avermelhados e absorvendo todo o perfume que conseguia; aquele mesmo perfume floral que experimentou por uma única vez, por uma noite que poderia ter durado uma vida inteira, mas cujas horas se passaram como segundos... Porém, essa única noite de amor foi o suficiente para firmar para sempre em sua alma o seu sentimento por Maeve e nem a batalha final da insana guerra foi capaz de apagar o mínimo que fosse daquela impressão que carregaria pela eternidade. 

— Eu te amo demais, Michael... – Maeve sussurrava com voz embargada, mantendo-se firme, enlaçada ao pescoço de Collins, como a temer que ele se fosse dali como a pequena neblina dos lampiões. — Eu entendo o porquê das atitudes que tomou... entendo o fardo que carregava... entendo que não havia escolha para você... eu entendo que você havia se tornado escravo de um pacto... eu te perdôo, Michael... eu já havia te perdoado há muito tempo! 

Continua...


O céu tornou-se ainda mais branco quando a chuva fina começou a cair, mas o ar frio era tanto que condensava as gotículas muito antes de elas tocarem o chão. Então, delicados flocos de neve caíam lentamente e logo tudo se tornou esbranquiçado. Sobre as duas figuras solitárias no alto da pequena colina, os flocos começaram a se acumular em seus cabelos e ombros. 
                                                                                                                                                                                                                                   
— Todos sabem da verdade... foi com muito custo que todos a entenderam... mas, aceitar?! Francamente, Sr. Collins, isso é quase inconcebível! 

— Dói ouvi-la me chamar com tanta polidez, sabia? – Collins inquiria num tom misto de tristeza e zombaria. —Eu realmente não me importo com o que todos pensam de mim, mas você... 

Maeve se irritou com aquele “mas você”, virando-se abruptamente em direção à cidadela. Lutava contra seus desejos que se opunham às suas convenções. Uma luta dolorosa, mas o ‘certo’ deveria prevalecer, sempre! 

— Isso é loucura! Tudo foi uma loucura! E o que aconteceu entre nós não foi diferente! Esqueça tudo isso! Aquilo foi um erro! Um erro! 

A moça, em passos largos, tentou fugir, descer a colina rumo à rua de pedras e lampiões gotejantes. Precisava sair o quanto antes dali! Não permitiria que sua mente e sua razão fossem dominadas por emoções tolas que teimavam em lhe contradizer, mandando-a que ficasse, que baixasse completamente a fortaleza que guardava seu castelo de atitudes certas, lógicas e ponderadas. Não poderia amar um homem que fora o assassino de William Lamport, mesmo que sob a lealdade inquebrantável que Collins estava preso ao líder revolucionário! 

Seu coração perdoava e entendia, mas sua mente não conseguia aceitar tal fato! Em ação rápida e furtiva, Collins impede que Maeve prossiga, segurando-a pelo braço esquerdo. Temia machucá-la com a força que empregava, mas não poderia correr mais uma vez o risco de perde-la novamente, de deixá-la fugir. Não lhe restava mais tempo para isso. A moça virou-se assustada, mas sua expressão de quase desespero se esvaeceu ao encontrar clemência e doçura naqueles olhos castanhos que costumavam ser tão frios, como se não pertencessem a um ser vivo. 

Continua...


Olhou para o céu recoberto por nuvens que se tornaram densas, ocultando a lua cheia que ainda refletia seus raios sobre elas, deixando a noite clara. O frio se intensificou, fazendo com que sua respiração formasse uma neblina tênue. Logo começaria a nevar. 

— O senhor não quis participar das comemorações? – Perguntou Maeve, sonsamente, apenas para quebrar aquele silêncio que a incomodava. 

Collins voltou sua atenção à mulher. Perdia-se em divagações enquanto observava Maeve, que parecia se proibir de lhe dirigir um olhar que fosse. Passados alguns minutos, achou por bem responder a pergunta dela. 

— Eu não seria bem vindo... Mesmo que tudo tenha se esclarecido, jamais serei perdoado por ter levado tão longe tudo aquilo que o nosso líder planejou por tantos anos... 

— Porque se a morte é a última opção desesperada, então é possível tomar outras atitudes e tentativas. A morte é o fim, não há segunda chance! – Maeve respondeu, como se a completar os pensamentos de Collins, com um tom rancoroso em sua voz. 

Ele inspirou profundamente, demonstrando todo o seu pesar. O preço de sua extrema lealdade ao líder intelectual da Força Revolucionária e herói do Povo Místico, William Lamport, seria a cruz que carregaria por muito tempo em solo acidentado. Sabia disso e não buscaria modificar essa consequência que previu e aceitou. 

Porém, jamais previu que seu coração reclamaria pelo perdão de alguém. 

— Já falamos sobre isso... carregar para sempre o peso desse ato é o pior castigo que eu poderia ter! Mas a guerra requer grandes e dolorosos sacrifícios. O de Lamport foi sua vida, o meu é o assassinato dele! 

Por um momento, ao ver Maeve passiva, Collins pareceu se desesperar e sua voz saiu próximo de um suplício. 

— Você conhece a verdade, Maeve... a entende... por que é tão difícil de aceitá-la?!

Continua...

Do alto da colina do pequeno Castelo, podia se avistar toda a extensão da cidade mística e sua floresta densa. Correndo os olhos pela área a sua volta, Maeve via algumas fogueiras crepitando ao longe, nas pequenas propriedades rurais da cercania urbana. Olhou para trás, para o vilarejo que podia ser avistado quase na sua totalidade daquela colina. Viu sem alardes vultos de luz prateada que deslizavam pelas calçadas e ruas desertas. Já não era mais possível ouvir qualquer ruído do Green Man. 
O vento gelado que soprava insistentemente era o único a ressonar por ali. Maeve, contemplativa, voltou-se para frente, abandonando a cidadezinha às suas costas. 

O vento frio fazia ir e vir os seus cachos. Olhava a imensidão escura que se desnudava à sua frente. Ela estava distante, absorta em seus pensamentos, mal ouvindo os passos mansos e cautelosos que se aproximavam, amassando a grama quase seca pela geada temporã. 
Sentiu que alguém parou próximo. Um calafrio percorreu seu corpo e que não foi provocado pela temperatura que caia vertiginosamente. 

Sua respiração se alterou e, sabendo que de nada lhe adiantava fugir – pois, por mais que quisesse, não poderia fugir de si própria, de seus sentimentos, de seu coração... – com certo temor, virou-se por sobre o ombro e o calafrio gelou seu peito. 

— Michael... 

Michael Collins apenas deu um leve sorriso sarcástico, uma de suas marcas registradas, desviando seus olhos para a ponta de seus sapatos. Cabelos ruivos e longos caiam por seu rosto, ocultando parcialmente sua fisionomia abatida. O ex-revolucionário do Mundo Magnífico estava mais magro e pálido do que de costume. 

— Eu não me importaria de passar toda a noite aqui, mas prefiro não ser mais ignorado por você, Maeve... 

— Eu não... – Maeve interrompeu-se, voltando-se tristemente para o horizonte noturno. 

O silêncio dela o machucava, ele se permitia admitir isso. A sua vida inteira fora forjada para derrotar as Trevas custasse o preço de sua alma se necessário, e jamais poderia permitir que qualquer coisa ou até mesmo alguém desviasse sua atenção e suas energias desse objetivo. Agora que tudo havia se acabado, ele se permitia viver aquilo que seu coração desejava...

Continua...


Mas, para ela, toda essa alegria já havia se excedido... Ninguém percebera sua repentina desolação. Despediu-se silenciosamente de todos, com um sorriso triste no rosto cansado, correndo seus olhos dourados por aquela turba de boêmios, já com a mão na maçaneta da porta de saída. 

Ganhou a rua deserta em menos de um segundo. As risadas, falações e músicas ficaram abafadas quando a porta bateu às suas costas. O ar estava álgido. Ainda era Outono, mas as estações nunca mais seriam as mesmas após a guerra que violentou até mesmo a natureza da Terra. Uma rajada de vento a fez tremer e se encolher, balançando seus cachos avermelhados que caíam soltos às suas costas. Uma névoa se formava com sua respiração. 

Maeve ergueu os olhos para o céu parcialmente encoberto, onde ainda era possível ver uma formosa e imponente lua cheia e algumas estrelas que cintilavam como diamantes ao fogo. As nuvens finas, que cobriam boa parte do céu noturno, anunciavam uma chuva igualmente fina que, provavelmente, se condensaria em cristais de gelo com a atmosfera anormalmente fria para aquela época do ano. 

O luar intenso iluminava bucolicamente uma das principais cidades do Mundo Magnífico, que fora totalmente destruída e que agora gabava-se de seu renascimento como se jamais tivesse tombado alguma vez. Os lampiões das calçadas brilhavam como lágrimas na noite, um vapor produzido por seu próprio calor pairava e se dissolvia no ar. 

Maeve, de cabeça baixa e braços cruzados com força sobre o peito, caminhava decidida, em passos firmes. Seus sapatos baqueavam os paralelepípedos. Seus passos e sua respiração forte juntavam-se aos sons naturais da noite, ao vento que cortava as copas de árvores e telhados. Nuvens lanosas passavam apressadas sob a lua, criando sombras movimentadas pelo caminho. 

Sem se importar com o frio que a castigava, subiu com perseverança a colina que começava após o término das construções de tijolinhos maciços, que caracterizavam a cidade que se parecia com um vilarejo medieval. Os lampiões se escasseavam e o caminho começava a ser iluminado apenas pelo luar. Apesar do céu ter sido encoberto por nuvens de chuva, a lua cheia jogava seus fortes raios sobre aquele manto lanoso que refletia e potencializava sua luz, tornando a noite quase tão clara quanto o amanhecer do dia. 

Continua...

Samhain, Dia das Almas 

Bar Green Man estava adornado com enfeites espalhafatosos e animados. Abóboras iluminadas por velas eram as fontes de luz que davam um ar aconchegante ao lugar. Tigelas de cristais, repletas de doces de formas engraçadas, estavam a disposição nas mesas espalhadas pelo salão do bar. 

A garçonete de curvas voluptuosas corria de um lado ao outro alegremente, equilibrando a si mesma em altos saltos agulhas, enquanto fazia malabarismo com uma grande e pesada bandeja de prata, com várias canecas enormes de Stout, a cerveja escura irlandesa, cuja espuma cremosa transbordava farta pelas bordas. 

Após um ano de intensas lutas contra as forças das Trevas, que custou muitas vidas e muito sofrimento, o Povo Místico voltava a viver uma vida tranquila, sem medos e sem receios. As forças do mal foram dissipadas e a Paz instaurada. Portanto, tudo agora era motivo de comemoração! E a comemoração era ainda maior quando a ocasião era muito especial. No caso, não havia data comemorativa mais importante para o Mundo Magnífico do que o All Hallows Eve, a Noite de Todos os Santos. 

Neste primeiro ano sem a ameaça das Forças do Mal e seu Exército das Trevas, homenageavam-se os mortos, especialmente aquele que morreram na guerra, com respeitosa alegria. 

Alegria, sim, pois a morte faz parte da vida, e graças aos sacrifícios de muitos, milhões agora podem continuar a viver e perpetuar a força daqueles que deram suas vidas em prol de algo tão valioso quanto a Paz e a Liberdade. Lastimar-se seria desonrar aqueles que entregaram suas vidas para que as vidas de outros prosseguissem harmoniosamente. Havia, sim, a saudade, mas a alegria era uma silenciosa obrigatoriedade para honrar e agradecer aos mortos por seus sacrifícios. 

Já passava da meia-noite e a festa não dava mostras de terminar. As pessoas dentro do Green Man cantavam em coro desafinado, riam, gargalhavam, algumas dançavam. Um irlandês de juba vermelha, tão alto quanto largo, sobraçava o outro mais mirrado, e ambos, muito entusiasmados, puxavam o coro com as faces rubras e os olhos estatelados devido a algumas dezenas de canecas de cerveja. O bar era a materialização da alegria. As pessoas se divertiam de forma saudável, felizes e aliviadas por poderem retornar às suas vidas, comemorando cada segundo de Paz que lhes fora concedido após anos de segregação racial e liberdade tolhida e vigiada.

Continua...


Samhain, Dia das Almas, é um conto do livro Romance. Se quiser adquiri-lo, poderá fazê-lo através destes links:

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— Precisamos conversar, Julienne, sobre as loucuras que se faz por sentimentalismo, pondo a razão e a lógica de lado. 

— Sentimentos verdadeiros não são desprovidos de razão, Laurent... o ilógico é não aceitar tal desígnio! Eu deveria ter lhe trazido há mais tempo, não fosse por minha tolice em lutar contra a razão dos meu sentimentos! 

— Belas palavras, senhorita... – Um leve tom de sarcasmo passou pelas palavras de Lavoisier, que logo se abrandaram. — Para tudo há o seu tempo e antes tarde do que nunca... 

Lavoisier envolveu a cintura de Julienne com o braço esquerdo enquanto levava sua mão direita à face da moça, acariciando-a até os cabelos que pendiam soltos numa cascata dourada. 

— Muito obrigado, Julienne... eu sei o que sou e tenho noção de quanto mal cometi em nome da Revolução e... 

— Shhh... – Julienne levou sua mão aos lábios de Lavoisier, silenciando-o. — Não vamos falar sobre isso... agora, o que menos importa é o nosso passado, Laurent... 

Julienne deslizou sua mão suavemente até a nuca de Lavoisier, aproximando-o mais de si até seus lábios se tocarem levemente e se consumarem num beijo suave e tímido, como se estivessem reconhecendo-se e buscando autorização para emoções mais profundas. Ao cabo de longos instantes, o beijo se tornou mais apaixonado e Julienne enlaça o pescoço de Lavoisier, prendendo-o na cela de seu abraço. 

Ambos deixaram se envolver sem receios. Em suas mentes não havia mais passado ou futuro. Não importava o que eram, o que faziam, o que fizeram ou não fizeram. Apenas importava quem eram. E viver aquele momento desejado há muito tempo apenas no íntimo... agora podendo ser concretizado. 

Lavoisier conduziu Julienne até sua cama, deitando-a com suavidade, sem cessar os beijos. A moça levou suas mãos por entres os cabelos longos do homem, que caiam soltos e leves, formando rastros negros, enquanto descia lentamente dos lábios para o pescoço e colo dela, desabotoando sem qualquer pressa a camisa de lã, cobrindo toda a pele exposta ainda com beijos, sorvendo e se inebriando com o calor e perfume floral. Demorou-se por um tempo no ventre desnudo enquanto suas mãos buscavam cegamente pelo fecho lateral da calça em lã. 

 Enquanto Lavoisier se preocupava em afastar as roupas de Julienne, esta, com um sorriso maroto, agarrando-o pelo pescoço, assaltando-o com um beijo urgente. Já sem qualquer sombra de preocupação ou pudor, ambos estavam entregues um ao outro, completamente cientes de que aquilo já havia demorado demais para acontecer.

Após horas de amor intenso, Julienne alcançou o êxtase pleno, que fez todo seu corpo estremecer e se aquecer ainda mais, deixando sua áurea ainda mais radiante, com sua luz quase palpável. Lavoisier sentou-se na cama, com Julienne ainda em seu colo, envolvendo-a num abraço terno, que era retribuído. Tudo se tornou calmo. O carinho prevaleceu ainda por muito tempo entre os beijos e abraços suados, que ambos desfrutavam placidamente. 

A neve acumulada no batente, pelo lado de fora das pequenas janelas retangulares recostadas ao teto do quarto, jogava uma luminosidade bucólica através dos fracos raios do sol de inverno, que se atrevia a ultrapassar as densas nuvens de nevasca. Como cristais difundindo a luz, pequenos fachos coloridos se refletiam debilmente dentro daquele quarto que serviu de cenário para o resgate e a redenção de uma alma perdida. O amor a tudo sempre supera.

FIM
[Escrito em 2006. Remasterizado em 2012]

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As cortinas estavam abertas, o que possibilitava a entrada da fraca luminosidade. Lavoisier despertou tranquilamente, mas estranhando o ambiente. O que tivera não foi um sonho, mas uma realidade alterada, e julgava se encontrar no gabinete de Hanon. 

Sentou-se na cama e continuou introspectivo, absorvendo tudo que ouviu do líder revolucionário. Mas isso não o fez se sentir melhor. Aliás, no momento, não sentia nada, pois o sono profundo havia sedado suas emoções. 

Passou algum tempo sentado na cama. Com as pernas arqueadas e as mãos apoiadas sobre os pés, as solas encostadas uma na outra. Olhou para a janela e viu que a neve começava a se acumular no batente e logo a taparia por inteiro. Foi quando Julienne bateu à porta e abriu sem esperar permissão. 

— O Espírito do Grão-mestre Hanon me disse que talvez já estivesse acordado, então vim ver se o senhor não quer tomar café. 

Os Duendes-serviçais que ainda estão por aqui ficaram tão animados de haver alguém em Danúbio que prepararam um banquete um tanto quanto exagerado, e acho uma pena se não aproveitarmos. 

Lavoisier permaneceu imóvel e em silêncio, apenas olhando para a mulher. E lembrou-se do que havia acontecido antes de estar ali, admirando-a ainda mais profundamente pela poderosa Magia executada no Teatro Mágico. Lembrou-se do que ela disse sobre senti-lo... e das palavras de Hanon, para quem jamais havia segredos. 

Algo aqueceu seu peito e sentiu uma estranha pressão crescente, trazendo aquilo que viu retratado em seu jovem Eu do Espelho da Alma: seus ideais nunca maculados e a esperança de finalmente fazer com que eles se concretizem. 

Sem dizer uma palavra, Lavoisier levantou-se calmamente da cama e andou até Julienne, que apenas o observava em expectativa, apoiada na porta semiaberta. Parou muito próximo à moça, que o olhava também com admiração, por jamais ter visto nele uma expressão branda, os olhos negros reluzentes e quase adocicados. Era mesmo de se admirar que Laurent Lavoisier tivesse tal capacidade humana de se pôr à frente de alguém sem empunhar armas. 

— Tenho certeza de que os serviçais não ficarão chateados se nos atrasarmos um pouco para o desjejum... 

Julienne faz-se de sonsa: — Não sei por que iríamos nos atrasar.. a não ser que o senhor demore horas para se arrumar. 

Lavoisier segurou a mão de Julienne, fazendo-a se afastar da porta fechada em seguida. Ela tinha plena consciência da situação, mas apenas esperava para que ele tomasse a iniciativa. Não pretendia se esquivar e nem tomar mais atitudes do que já tomou até então. 

Queria definitivamente se entregar ao seu coração, de tão cansada já estava em negar a si mesma os seus sentimentos. Isso doía mais do que uma desilusão.

Continua... 

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As imagens de tudo que via eram opacas e desfocadas. O grande corredor principal, que da entrada da fortaleza levava para os diversos ambientes, estava adornado por longas faixas de seda branca e estrelinhas que tremeluziam alternadamente. Lavoisier olhou para todos os lados até decidir seguir em frente, rumo ao salão principal. 

Durante seu curto trajeto, cruzou com formas fantasmagóricas de ex-postulantes. Passavam pelo Mestre Magista sem darem conta da presença dele, continuando com os sussurros e risadas. Viu a esposa de Dominique, Renè Hanon, sair em seu passo apressado e firme do salão de refeições, passando por Lavoisier, igualmente ignorando a presença dele. 

Logo chegou ao salão principal, que estava ornado com faixas e laços de seda branca, festões de cristais, luzinhas que se movimentavam, acendendo e apagando, como fossem pequenos vagalumes. A dúzia de mesas dos postulantes estava coberta por toalhas também em seda branca, com esmerosos bordados em fios de prata. Sobre elas, havia poucos aparelhos de jantar, mas todos de belos desenhos. Sabendo que não era percebido naquele cenário, que era apenas uma mera lembrança, deteve-se a observar a mesa onde estava Julienne, travando animada conversa com outros colegas. Deteve sua atenção especialmente a ela e percebeu que de tempo em tempo ela parecia se distanciar da animada conversa, tornando-se apática, esguelhando seu olhar, muito discretamente, para a mesa principal, a dos Mestres e Oficiais. 

Por curiosidade, Lavoisier resolveu acompanhar o olhar da postulante e encontrou a si mesmo, na forma fantasmagórica da lembrança, sentado em seu lugar de costume à mesa principal, dedicando, com muita má vontade, atenção ao colóquio entusiasmado do Oficial de Simbologia, tendo-o à sua esquerda. À sua direita encontrava-se, como se estivesse em estado de alfa, a estranha Mestra Brighid: estática, olhando para frente com olhos vazios. Foi então que surgiu a suposição de que, aquele dia retratado naquela lembrança, deveria ser o Reveillon do ano anterior. Pelo que lembrava, nada havia acontecido de anormal ou importante nesse dia. 

Uma risada alta e gutural, seguida por palavras intercaladas, chamou a atenção de Lavoisier, que olhou para trás e viu o belicoso Brito acompanhado do esquelético Denzel, ambos Guardiãs do Forte, entrarem no salão, fazendo grande contraste de suas formas e conversando animadamente como se ambos fossem bons amigos, o que não eram. A situação inusitada só poderia comprovar que ambos já estavam com certa quantidade de álcool correndo nas veias e subindo à cabeça... aliás, nada anormal. 

Foi então que Lavoisier, o visitante da memória, se deu conta de que... se aquele filtro fora feito com base no Plasma Mental de Hanon, como era possível ele estar dentro daquelas lembranças se o próprio dono não estava presente e, desde que desceu ao seu subconsciente, não encontrou o Grão-mestre em nenhum lugar? 

Um calafrio percorreu sua espinha, de cima a baixo. Por mais que tenha estado ao lado de Hanon, e por mais que conhecesse o homem, de fato ele não conhecia toda a extensão do poder de seu antigo Mentor. Por mais que conhecesse Hanon, tudo que podia fazer era supor o quanto ele era poderoso, mas sem ter a real ideia. 

Olhou mais uma vez para Julienne, admirando-a, como não se permitira em qualquer outra época. Aproveitou o momento para estudar atentamente as formas do rosto, tentando descobrir o que ia no coração dela naquele momento. Apesar da conversa animada entre os colegas, a moça deixava escapar ares de preocupação que a fazia, por rápidos instantes, se desligar do mundo ao seu redor. 

Lavoisier suspirou fundo e decidiu sair o quanto antes dali, a fim de descobrir o porquê daquela lembrança, qual o objetivo daquilo. 

Avançou porta fora do salão e seguiu pelo corredor principal. Rumava ao gabinete do Grão-mestre a fim de descobrir algo. Se as lembranças pertenciam a Dominique Hanon, e fora seu Espírito que ordenou Julienne a preparar aquele poderoso hidrólio, algo sério por trás disso havia de ter, e descobrir o quê, era uma obrigação. 

Lavoisier subiu à sala de Mago Branco, e lá ele estava em pé, diante da janela em forma de gota, com os braços cruzados às costas, observando a noite. Alguns fogos de artifício estouravam ao longe, prematuramente. A imagem de Hanon era diferente das demais imagens da lembrança: sua forma era quase completamente definida e as cores eram mais vívidas, menos desbotadas. 

— Se está aqui é porque não caminho mais neste mundo e você foi resgatado, não é mesmo Laurent? 

Lavoisier arregalou os olhos e ficou atento. Karman Memoriale era um hidrólio muito poderoso de Arte Obscura e, ao menos que ele próprio tivesse preparado usando seu próprio Plasma Mental, somente assim poderia prever o que aconteceria com aquele que ingerisse. Mas as memórias eram de Hanon e, mesmo que o filtro tenha sido preparado da forma mais correta possível, o que com certeza foi, o elemento básico, o Plasma Mental, poderia ter sofrido acréscimos e alterações que apenas aquele que o fez saberia. 

— Eu... temo que esteja certo, Dominique. 

Hanon virou-se para Lavoisier, tendo ao rosto seu sorriso confiante. Aproximou-se do rapaz, encorajando-o a falar. 

— Eeh.. eu não entendo, Dominique... esse momento é referente... 

— Ao nosso último Reveillon. – Completou Hanon. 

— Então, por quê... – Lavoisier se alterou um pouco, saindo de seu estado de torpor, gesticulando os braços e movendo-se do lugar. 

— Por quê, se tudo já estava preparado, se você já sabia de tudo que aconteceria, por que não evitou que acontecesse?! 

Hanon permanecia calmo, como era de seu costume. — Por que todos creem que, por se tratar do futuro, este é imutável? O futuro torna-se passado no momento em que este se concretiza, e o passado é imutável. 

— Por Hermes, Dominique! Não me venha com parábolas! Você tinha consciência do que aconteceria e me usou para provocar à sua morte! Poderia ter evitado isso!

— Eu apenas posso lhe dizer que a Srta. Brighid não é tão inútil e tão desprovida de poderes quanto aparenta. 

— Ela previu que eu o assassinaria?! Isso é ainda mais inacreditável! – Ironizou. 

O Mago Branco levantou sua mão destra, espalmando na direção de Lavoisier, pedindo que tivesse calma. — Ela não previu que seria por suas mãos que eu padeceria... neste ponto, eu alterei o nosso futuro e peço-lhe perdão por isso, por ter-lhe dado fardo tão pesado. 

— O quê! Como assim! – Lavoisier estancou e olhou aturdido e desconfiado para Hanon. 

— A Srta. Brighid previu meu suicídio... – Lavoisier tornou-se estático e, como se lesse os pensamentos do jovem, Hanon prosseguiu com a explicação. — Eu me coloquei deliberadamente em perigo ao beber o vinho ervoso, pois precisávamos desesperadamente de nos contatar com os Mestres Dragões no Plano Etéreo, afinal somente eles poderiam nos fornecer as respostas de que tanto precisávamos. Porém, sabia que tanto a ingestão do filtro quanto ao meu desdobramento a um Plano muito superior ao nosso seria letal ao meu corpo... logo, eu cometeria um suicídio. 

Lavoisier andou nervoso pelo gabinete, meneando a cabeça, não querendo acreditar no que ouvia. Hanon esperou por instantes, deixando que o silêncio acalmasse Lavoisier, mas o tempo para o efeito da Karman Memoriale era limitado. 

— Se eu tivesse cometido o suicídio, estaria então em estado de perturbação e não poderia auxiliar as Forças Revolucionárias e ao Grão-mestre Casimiro Arcoverde, pois perderia por tempo indefinido minha razão e livre-arbítrio, e só poderia expiar essa falta com uma nova existência! E, bem, isso levaria muito tempo e creio ser muito mais útil como um Espírito livre do que como um Espírito aturdido esperando nova reencarnação. 

— Então, para evitar este estado de expiação, fez com que eu o matasse, livrando-o assim de ser um Espírito suicida?! – Lavoisier completou o pensamento, dizendo-o de forma sarcástica. — Você é sórdido, Dominique Hanon! 

— Hohoh.. tomarei isso como um elogio, meu querido assecla! 

Mas, para nos empenharmos em algo, precisamos fazer sacrifícios! Eu morreria de qualquer forma e não poderia mais continuar colaborando para a derrubada das Trevas. Peço perdão pelo fardo que o faço carregar com esse ato, mas somente você poderia fazê-lo... tenho certeza de que ganhou muito prestígio ante os olhos do Mago Negro Anthrax. 

— Tenha a absoluta certeza de que sim, Dominique! 

— Já que estamos conversados, quero que pare de se culpar pelo que foi obrigado por mim a fazer. Tudo foi feito pela derrubada das Trevas. Ademais, não me restariam mais muitos anos de vida, se eu tivesse como sobreviver ao envenenamento do filtro ervoso de nossos aliados Elfos. 

— Lamento muito lhe dizer, Dominique... mas isso em nada contribuiu para o enfraquecimento de Anthrax! E ainda por cima as Forças Revolucionárias, Casimiro Arcoverde e o grupo paramilitar dele, o Resistência Autônoma, querem a minha cabeça! 

— Ainda não, meu querido, ainda não... mas, o mal não é eterno e sempre sucumbi à evolução. Quanto aos membros das Forças Revolucionárias e do partido de Arcoverde, o Resistência Autônoma, eu me manifestarei na próxima reunião e contarei todos os fatos, desvendando a verdade sobre a minha morte. Mas, antes, era necessário trazê-lo de volta à superfície. Só lamento que a Srta. Julienne tenha demorado tanto para aceitar seus sentimentos. Agora volte, Laurent! E tenha um Feliz Ano Novo!


Continua... 

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Julienne olhou para Lavoisier, que estava apenas alguns centímetros afastado dela, com desdém. Aproveitou a oportunidade e mostrou, quase esfregando na cara dele, um pequeno frasco de vidro que continha um líquido leitoso e perolado dentro. Intrigado, Lavoisier afastou-se, olhando desconfiado para o frasco e para Julienne ao mesmo tempo. 

— Isto é para o senhor, Mestre Lavoisier... foi o Grão-mestre Hanon que me pediu para prepará-lo e entregá-lo ao senhor, caso eu conseguisse... resgatá-lo. – Julienne encerrou a frase quase num sussurro. Os olhos de Lavoisier quase se fecharam em fenda por tanto que ele olhava desconfiado para ela. 

— Hanon lhe pediu isso? – Pegando o frasco entre o polegar e indicador, Lavoisier observou criteriosamente o conteúdo. — Isso parece Plasma Mental. O que está armando afinal, Srta. Jouvin? 

— Não é armação, Laurent... – Julienne sussurrou de forma cansada. — É Plasma Mental sim, uma pequena parte, é claro... memórias de Hanon. O Espírito dele me passou todas as instruções de como proceder com esse hidrólio. Sendo o senhor um exímio conhecedor de Magia e Alquimia, não preciso dizer para que ele serve, certo? 

Lavoisier aproximou-se novamente de Julienne, verificando o hidrólio enquanto lhe falava. Manteve o frasco entre os dedos polegar e indicador de sua mão direita, mostrando-o para a moça. 

— Não espera mesmo que eu me sirva disso, não é? Se isso não fosse uma ideia tão louca, eu duvidaria que fossem ordens de Hanon! 

Julienne deu de ombros, preparando-se para sair do quarto, já levando a porta pela maçaneta. 

— A minha parte está feita e termina por aqui, Mestre. Ao senhor fica a decisão de seguir adiante ou não. Seja como for, tenha uma boa noite de sono... está precisando! Já fechava totalmente a porta, quando estancou. — Logo será um novo ano e, bem... Feliz Ano Novo, Laurent Lavoisier! 

Julienne fechou a porta, deixando Lavoisier, meio atônito, meio aborrecido, sozinho consigo mesmo e com o estranho hidrólio. Bufou antes de resmungar para a porta fechada. 

— Feliz Ano Novo?? Desde quando Julienne é sarcástica?! 

Em seguida, voltou sua atenção para o frasco transparente, ponderando mil coisas. Sentindo-se novamente cansado, foi até sua cama e sentou, ainda observando o hidrólio leitoso. 

— Eu sempre desconfiei que havia algo de estranho por trás daquela fisionomia de monge búdico... mas jamais imaginei que Dominique pudesse ser diabólico! O que queria me dizer ou mostrar com isso?! Ele já havia deixado tudo preparado, prevendo sua morte... mas que diabo maquiavélico é Dominique Hanon! 

Lavoisier puxou a rolha que vedava o frasco, abrindo-o. Ponderou por mais alguns instantes sobre o que deveria ou não fazer. 

Inspecionou com o olfato o conteúdo e só então, ainda relutante, levo-o à boca, bebendo todo o conteúdo num só gole. Sentiu novamente sua exaustão e suas pálpebras muito pesadas. Deitou-se na cama, adormecendo quase que instantaneamente.

Continua... 

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Estava na dúvida se conseguiria ou não, mas resolveu arriscar um palpite. E como previra, os feitiços protetores que zelavam o Forte Danúbio caíram juntamente com aquele que os mantinha... uma compressão dolorosa fez encolher seu coração. 

Lavoisier olhou ao redor daquele imenso salão de refeição... agora apenas um salão desolado, de mesas e cadeiras silenciosas. Se as coisas não tivessem mudado, hoje, neste último dia do ano, aquele salão estaria alegre e fartamente adornado, decorado especialmente para o Reveillon. Mas agora, apenas o vazio e silêncio. Tudo parecia ter perdido a vida juntamente com Dominique Hanon... e a culpa era dele: Lavoisier! 

Resignou-se e suspirou profundamente, mirando o chão. Agora tudo aquilo é passado e águas passadas não movem moinhos. Não havia mais o que ser feito. Lamentar-se era perda de tempo. Sentir saudades era profunda estupidez. 

Mas já que ali estava, nada lhe impedia visitar o lugar que tanto lhe confortou, e o único lugar que chamou verdadeiramente de lar. Somente agora, que havia perdido, é que se dava conta de tal dádiva. Mais uma vez: passado! O que não o impedia de andar pelo Forte e recordar os anos que ali vivera. 

Em passos rápidos e decididos, Lavoisier avançou para a saída do salão rumo ao grande corredor que dava entrada para os demais recintos. Desceria para as câmaras subterrâneas, rever sua antiga morada e local de trabalho. A essa altura, não se lembrava de Julienne, tão absorto estava pela atmosfera do Forte Danúbio abandonado, e as lembranças que se acendiam a cada canto que
passava. 

Como é engraçada essa noção de tempo, que tanto pode avançar quanto retroceder, independente do tempo marcado pelo relógio ou calendário... a noção de tempo só tem a ver com os sentimentos de cada um, das perspectivas e importâncias que fatos, pessoas, lugares têm para si. E, para Lavoisier, é como se já houvesse se passado décadas a última vez em que pisou naquelas pedras polidas do chão. 

Quanto à morte de Hanon... parecia ainda sentir o formigamento em sua mão quando lançou o feitiço mortal contra seu antigo mentor e único amigo verdadeiro. 

Logo chegou às escadarias que levavam aos subterrâneos. Desceu em questão de instantes e rápido alcançou a entrada de sua sala particular. Queria rever seu antigo aposento, o único lugar em que já pode dormir em paz e sem sobressaltos. Sentia-se muito exausto. Abriu a porta, encontrando a sala que fazia de escritório. 

Tudo parecia impecavelmente alinhado, como havia deixado antes de cometer o pior ato de sua vida. Repassou os olhos, detendo-se em todos pormenores, sentindo uma saudade idiota de tudo aquilo. 

Avançou para a porta dos fundos, que acessava seu aposento. A cada passo, sentia-se mais exausto. Todas aquelas lembranças amargas, de um passado que jamais voltará, exaurindo suas últimas forças. 

Ao abrir a porta, levou ainda algum tempo para que seus olhos se acostumassem à penumbra densa que sempre fez parte do seu dormitório. A decoração escura e sisuda contribuía para aquele ambiente sombrio, mas para ele era muito acolhedor. Olhou tudo em volta e viu, com satisfação, que tudo continuava como antes, tudo em seus devidos lugares. A cama posta, bem arrumada, com o dossel em veludo negro caindo em curva e terminando preso num cordão aos postes os livros empilhados sobre o criadomudo; as cortinas escuras em frente às pequenas janelas retangulares que ficavam rente ao teto, impedindo que a pouca claridade entrasse; ao fundo, um armário embutido que ia de uma ponta à outra da parede, e uma das portas que dava acesso ao quarto de banho. 

Estava sujo. Não apenas de corpo, principalmente de alma. Em seu corpo e vestes, havia ainda vestígios do ataque que participou 

naquela mesma noite, há apenas algumas horas atrás. Mas, agora, era como se tivesse sido há muito e muito tempo. Sua alma só poderia ser lavada com expiação, talvez fossem necessárias dez reencarnações para atingir a redenção dos crimes que cometeu nesta vida! Mas de seu corpo, naquele momento, ainda podia se expurgar das provas do mal que cometera. 

Usou Magia para despir-se. Postou-se sob a ducha que foi acionada também por Magia. A água quente caia em abundância e, como se tentasse se purificar, deixou que escorresse longo tempo por sobre sua cabeça e ombros, e foi então que percebeu o quanto seus músculos estavam doloridos e todo o seu corpo estava frio como gelo. 

Deu-se por satisfeito pelo banho quando percebeu que quase dormira em pé. Com o uso de Magia, encerrou a ducha, secou-se e conjurou uma camisa branca de mangas longas e uma calça preta, ambas peças bastante folgadas e confortáveis. Não lhe interessava o dia de amanhã, se seria capturado pela Força Revolucionária ou mesmo se morreria. 

Tudo que desejava, naquele momento, era resgatar aquela pequena centelha de seu passado, tão distante e tão recente ao mesmo tempo. Desejava o sono dos justos que há muito já não tinha. 

Embora soubesse não merecer um instante sequer de paz, pedia à Deusa que um pouco, ao menos, lhe fosse concedido nesta noite que encerrava tal ano fatídico. 

Logo ao sair do banheiro, encontrou Julienne parada em pé diante da porta do quarto. Lavoisier sobressaltou-se de tal forma que seu sono desapareceu no mesmo instante, elevando seu Bastão Mágico à altura de seus olhos, em defensiva. Julienne parecia impaciente. 

— Ah, não, Mestre... novamente isso não, ok? Lavoisier, aborrecido, baixa sua guarda, soltando um muxoxo. 

— Ah, não, novamente não, digo eu, senhorita! – Lavoisier caminhou até a Bruxa, parando muito próximo a ela. Julienne sentiu-se desconfortável, mas não deixou que transparecesse. — A senhorita não deveria entrar em quartos alheios desta forma sem ser convidada... o que poderia equivaler a um convite... ainda mais depois que me revelou esta noite.

Continua... 

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 — E agora... essa sua brincadeira, que poderia ter-lhe matado... como pode ser tão tola para fazer o que Dominique lhe mandou? Ele está morto, não faz mais diferença, a promessa pode ser quebrada! 

  Julienne respirou profundamente, aprumando-se em sua postura.  — Sim... Grão-Mestre Hanon está morto... e eu havia prometido e a morte dele não muda as coisas!  E você ainda está vivo... e ele me pediu para trazê-lo de volta quando percebesse que estava se perdendo! – Suas últimas palavras saíram num só fôlego. Não havia mais razão para manter o temor e receio. 

  — Tola! – O Bruxo voltou-se novamente para o chão, negando com um meneio de cabeça. 

  Julienne engoliu o orgulho ferido. Será que pelo menos neste momento ele poderia parar de destratá-la?! 

  — É, eu sei... eu sou mesmo uma tola! Mas você precisa de uma mão que o traga à tona para respirar... – Julienne abrandou o tom autoritário de sua voz e abaixou-se para ficar ao mesmo nível de Lavoisier. — ... você precisa, Laurent... por isso estou aqui... 

  Lavoisier lutou contra a presença imposta dela, recusando-se a olhá-la. Por que ela tinha que ficar tão perto? Ela o estava provocando! E por que ele simplesmente não se levantava e saía dali, deixando aquela mulher tola falando sozinha?! 

  — O que a faz pensar, Srta. Jouvin, de que eu preciso da sua ajuda pra qualquer coisa? – Lavoisier sibilou de forma letal, tentando mostrar-se contrariado. 

  Ajoelhada diante dele, que já estava sentado no chão sobre as pernas, Julienne estava uma cabeça mais alta que Lavoisier. O Mestre Magista jamais ouvira palavras expressas com tanta doçura vinda de Julienne... Havia muito tempo que alguém falara com ele naquele tom... e, igualmente como todos que amou pereceu pelas mãos das Trevas. 

  — Eu não sei... não penso sobre isso... apenas sinto! 

  — Por que insisti nisso? Eu tirei a vida de Hanon! Deveria sentir ódio de mim e não compaixão... não tentar me... resgatar! 

  — Eu senti... e senti também mágoa, decepção... mas uma ideia fixa em minha cabeça me fez pensar que o Grão-Mestre Dominique Hanon jamais cairia numa traição... ele era poderoso demais para se enganar... então eu me lembrei da conversa que tive com ele... e entendi que não havia outra saída nem para ele e nem para você... e senti que você não estava conseguindo arcar com esse peso... Hanon disse que eu saberia quando e como ajudar. 

  Lavoisier deixou todas as suas convicções de lado e abraçou Julienne, que se sobressaltou pela surpresa do ato inesperado. Descansou sua cabeça no ombro da moça. Apenas instantes depois de passado o susto, é que ela retribuiu ao abraço, envolvendo seus braços esgalgados por sobre o pescoço e ombros de Lavoisier. 

  — Por que, senhorita... disse que estava no Inferno? – Lavoisier perguntou sem se separar um milímetro sequer de Julienne. Por ele, não sairia nunca mais dali, permaneceria abraçado a ela, envolto do calor aconchegante e do perfume que o acalmava... não se lembrava de alguma vez ter vivido tal momento. 

  — Porque... porque você estava... 

  Ao ouvir a doce resposta, Lavoisier abraçou-a ainda mais forte, querendo preencher o vazio de seu peito. Não queria que aquilo se findasse. Queria que fizesse parte da sua vida, que fosse a sua realidade, que estivesse presente no seu dia a dia! 

  Mas, para Julienne, não parecia surtir o mesmo efeito. Ela ainda permanecia tensa e logo quebrou a atmosfera que envolvia ambos. 

  — Não é seguro continuarmos aqui. Já estamos tempo demais na Citadelle e podem acabar nos encontrando. 

  — Não se preocupe, não há o que temer... depois do ataque de hoje, todos os outros Soldados voltaram para suas casas a fim de festejar a virada do ano... não haverá mais ataques por pelo menos uns dois dias. – Lavoisier afastou-se um pouco de Julienne e voltou a encará-la. A mulher engoliu seco a frieza do comentário dele. 

  — T-tudo bem, mas... eu prefiro sair daqui. Fazer todos esses feitiços me tirou muita energia, e os feitiços de proteção estão enfraquecendo. 

  — Você fez tudo isso sozinha... foi brilhante, mas vindo de você não é surpreendente... mas, como conseguiu me encontrar, como soube que eu estaria por aqui? 

  — Eu não sabia... vamos para o Forte Danúbio. Mesmo que lá esteja deserto, é mais seguro do que estar aqui. 

  — Não! Danúbio, não! 

  Lavoisier se desvencilhou de Julienne e se afastou dela. A mulher aproveitou a deixa e levantou-se, se afastando também.   — Eu não posso ficar mais aqui. É muito perigoso para nós dois. Em Danúbio estaremos seguros e poderemos ficar tranquilos. 

  Julienne olhou tristemente para Lavoisier, teleportando-se em seguida. O Magista levantou-se em seguida, um pouco aturdido. Mil coisas passavam por sua cabeça, inclusive que poderia ser uma armadilha do Resistência Autônoma para capturá-lo. 

  Por quanto tempo mais sobreviveria naquele mar trevoso, sem respirar?   E qual era o melhor das duas únicas opções que tinha? Ser morto pelo Senhor das Trevas ou capturado pela Forças Revolucionárias? 

  Lavoisier concentrou-se e teletransportou.


Continua... 

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Lavoisier, que já havia afrouxado sua mão da garganta de Julienne, solta-a de vez, descendo os braços pesadamente. Neste momento, todo o seu corpo parecia pesar toneladas. Caiu ajoelhado aos pés da moça que, trêmula, alisava o pescoço. 

Em voz embargada, Lavoisier balbuciava palavras desconexas, que só depois de um tempo Julienne conseguiu entender algo do que ele dizia. 

— Velho maldito... maquiavélico... ele sempre soube, sempre soube... e não fez... nada... pra impedir...! Imutável... imutável... futuro imutável? Só o passado é imutável... não o futuro, não o futuro! Por quê? Para quê?! 

Julienne sentia seu coração em cacos ao ver aquele homem - que sempre se mostrou frio, inatingível, às vezes até mesmo cruel - ajoelhado aos seus pés, confuso e desamparado. Esticou titubeante sua mão direita a ele. Estava estressada e temerosa da reação dele. 

As pontas de seus dedos encostaram muito levemente sobre os cabelos negros e escorridos de Lavoisier, mas o leve toque foi o suficiente para despertar o homem de seus devaneios, levantando seu rosto furioso para ela, que recuou a mão, levando-a em segurança junto ao peito, como se o homem à sua frente fosse um cão feroz prestes a estraçalhá-la com dentes afiados. 

Lavoisier percebeu que a moça estava apavorada. Ele, a pouco, quase a estrangulara! Se não fosse pelo roubo das lembranças, ele teria matado Julienne! E no mesmo instante, lembrou-se do que Hanon havia dito nas lembranças dela... “... a senhorita é a única neste mundo que tem a condição de fazer isso por Laurent Lavoisier...” 

Com isso, o homem abrandou sua expressão e toda a sua ira desapareceu. Julienne permanecia estática contra o balcão, acuada, olhando-o intensamente. Surpreendeu-se com o semblante que sucedeu o da ira: um misto de ternura e melancolia. 

— Me perdoe... eu a machuquei... poderia... tê-la... matado! 

— Po-poderia... mas não o fez... 

Lavoisier baixou novamente a cabeça. Por um instante quase infinito, o silêncio reinou absoluto naquele salão, até ser quebrado pela voz cansada do Revolucionário. 

— Muitas coisas... eu poderia ter feito ou ter deixado de fazer... e não fiz nem uma e nem outra quando necessário... Dominique está morto... morto por minhas próprias mãos! E isso em nada acrescentou para a derrubada do líder do Exército Negro! 

— Não... não ainda... mas conseguiremos... você não pode desistir agora, Laur... – Julienne não se permitiu completar o nome de Lavoisier. Era assustador verbalizar aquele nome pelo qual sempre quis chamar o Mestre Magista. Ainda estava em dúvidas se o que fez, a “armadilha” que preparou para atraí-lo até ela, foi uma coisa sensata. Como queria poder abraçá-lo e tirá-lo de vez daquela treva que o envolvia tão forte e densamente! 

Sem voltar-se para Julienne, Lavoisier deu uma risada baixa e voltou a falar, ainda olhando para o chão: — Sempre desconfiei que a senhorita não tinha o juízo em seu devido lugar... uma mente tão brilhante se perdendo com inutilidades! Desperdiçando seu tempo e até mesmo arriscando sua vida por amigos deploráveis! 

Voltou-se para a mulher, a encarando. Ela permanecia quieta e somente sua respiração pesada indicava que não petrificara. Com um meio sorriso, a princípio zombeteiro, Lavoisier continuou a falar, até o sorriso se desmanchar pela melancolia.

Continua... 

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O escritório de Grão-Mestre Dominique Hanon estava mergulhado na semiluz do crepúsculo vespertino, que se desmanchava após a pequena janela acima da escrivaninha onde o líder sempre costumava estar ao receber suas visitas. O Mago encarava seriamente a portadora daquelas lembranças. Com os dedos recostados uns aos outros pelas pontas, Hanon parecia fazer uma analise de sua observadora. 

A voz fina e suave de Julienne quebrou o silêncio que ali imperava. Ela titubeava em suas palavras, como desconcertada por algo, tentando em vão esconder o que podia haver em seu coração. O assunto era delicado demais e preferiria deixar que o tempo se ocupasse em desvendar esse seu mistério do que encará-lo de frente e tomar decisões precipitadas. 

— Eu... eu não compreendo, Mestre Hanon... como assim eu ter... certa admiração pelo... Mestre Lavoisier?! ... C-claro que Laurent Lavoisier é uma pessoa a ser admirada por... por sua inteligência e... também por seus emprenho na causa da Revolução e... também por se arriscar tanto sendo um espião, um Yagi, mas... não compreendo por que o senhor me chamou até aqui para me perguntar sobre a minha admiração por Lavoisier?! – Julienne estava nervosa, gesticulava muito e não ousava encarar os olhos de Hanon, desviando-se para o restante da sala. 

Hanon sorriu e levantou-se de sua escrivaninha, contornando-a e parando próximo à Julienne, com os braços cruzados às costas. 

Com o sorriso largo e uma postura descontraída, Hanon tenta deixar sua mensagem mais clara para ela, que agora o encarava apreensiva e em defensiva, muda, com o maxilar fechado à força. 

— Haverá um momento em que o Mestre Lavoisier terá que fazer coisas que pareçam contraditórias e absurdas e o fará sob meu comando. E por mais que Laurent seja um homem frio e ponderado, ele pode sentir-se desnorteado, e poderá mergulhar de cabeça nas Trevas por buscar uma resposta que não encontrará fácil. Então é preciso que você, Srta. Jouvin, vá, estenda sua mão e traga-o de volta até nós. Simples. 

Julienne tremia. Sua cabeça havia sido pega por um turbilhão de informações confusas. Que coisa louca era essa que Hanon lhe dizia e mandava fazer?! 

— Grão-Mestre! E-eu não consigo entender o que está me dizendo! O que vai acontecer, afinal?! O que eu tenho a ver com tudo isso?! Como e por que eu teria que fazer isso por Lavoisier?! Isso é absurdo! 

— Como sempre, a senhorita pergunta demais... apenas confie no que lhe digo. Há futuros que são imutáveis, mesmo que tenhamos um tempo de cem anos para mudá-lo... e somente a senhorita poderia fazer o que lhe peço. Como? A senhorita encontrará uma forma quando for necessário. Por quê? Porque a senhorita é a única neste mundo que tem a condição de fazer isso por Laurent Lavoisier...


Continua... 

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