The Snake Stories

Série Contos de Snake - Tempo Paralelo, Caleidoscópio e Romances em Fragmentos

A pressão sobre mim estava aumentando. Estava cada vez mais insuportável dormir. Não podia desobedecer as ordens e tinha que me virar como podia para atender ao chamado do Mestre das Trevas. Ele me pressionava quanto às ações. Me pressionava para agir rápido. Aquele maldito mestiço queria o quanto antes ter seus Soldados dentro de Hermes Trismegistus e Arcoverde morto! Eu já começava a acreditar que Anthrax não era lá muito inteligente. Era muito bom em torturas e ameaças, mas não em raciocínio. Ele queria que EU matasse Arcoverde! O maior bruxo do nosso tempo! Que venceu e matou Rasputin! Que mataria o Mestre se tivesse oportunidade! O que o fazia achar que eu poderia matá-lo?!

Eu estava sendo obrigado a bolar planos, estratégias. Tinha que lidar com o mais baixo nível do mundo bruxo. Estava sozinho, embora estivesse sempre em meus calcanhares os mesmos paga-paus de sempre. Mas eles e nada eram a mesma coisa! Como se não fosse sufocante o suficiente viver nessa maldita situação, ser obrigado a agir como não queria e ouvir constantemente ameaças de morte a mim e aos meus pais, ainda havia um inconveniente que me perturbava muito mais: Juliette Willians!

Eu juro pelo Deus Hermes que fiz de tudo para não pensar mais nela, para não sentir por ela o que estava sentindo! Pensei até em matá-la, talvez assim ela saísse de meus pensamentos! Mas a idéia por si só era tão repugnante, absurda e covarde, que preferi continuar acalentando aqueles sentimentos que, de certa forma, me traziam algum conforto, principalmente nos momentos em que me sentia mais sozinho e perdido.

Eu queria muito estar com ela, poder ouvir dela qualquer coisa, desde que ditas com toda aquela doçura a que me falou nas últimas vezes que nos encontramos. Porém, entre nós havia um abismo que seria sempre intransponível, e mesmo que o mais improvável acontecesse, tudo que faria era pôr a vida dela em risco... Eu não podia correr o risco de ter mais alguém que eu amo sendo ameaçado de morte. Amo?! É. Contra tudo e contra todos, eu estava apaixonado por ela!

No entanto, naquele momento, eu tinha que me contentar em me esconder no Jardim de Inverno e desabafar minhas mágoas para aquele Espírito que, ironicamente, se mostrou muito mais sensível e compreensivo que a grande maioria das pessoas vivas que eu conhecia! Mas sequer ficar angustiado em paz eu podia! Do nada, aquele infeliz do Cayla Hanon apareceu no jardim, me ameaçando!

Quando o vi entrar, a primeira coisa que pensei foi que Juliette havia contado sobre o que viu de mim, aqui. Um ódio horrível me corroeu por dentro e puxei meu Bastão contra Cayla. Maldita bastarda! Como pude acreditar nela? Como pude confiar que ela guardaria segredo sobre o que viu?! Amaldiçoado seja eu, que me iludi feito um imbecil, crendo no absurdo de que poderíamos ter algo a ver um com o outro!

Instintivamente, lancei contra Hanon um feitiço qualquer. Quem ele era pra estar ali invadindo minha privacidade?! Nos embatemos por alguns minutos e acabamos por terminar de destruir o jardim assombrado. Meus feitiços não conseguiam atingi-lo e, febril de ódio, tentei usar uma maldição contra ele, mas o canalha foi mais rápido! Antes que eu terminasse de conjurar a tortura, ele me lançou algo de volta que me causou uma dor terrivelmente aguda, me lançando contra a parede do fundo. Senti como se sombras me envolvessem e percebi que as trevas estavam me devorando. Hanon usou Magia Negra! Perdi a consciência quando bati no chão frio e encharcado. Depois disso, não sei mais o que aconteceu ou o que me atingiu. Acordei muitos dias depois na enfermaria de Hermes Trismegistus.
 
Continua...
 
Redenção é um conto presente na coletânea Romances em Fragmentos

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